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Você faz parte desse rebanho imune? Estudo vê imunidade de rebanho em Manaus




3.957 mortes por covid-19 foram confirmadas no Estado do Amazonas desde o começo da pandemia, de acordo com dados do consórcio de veículos de comunicação. Os casos chegam a 132,6 mil.

Trabalho avalia que alta taxa da doença, de até 66%, explica a redução de casos e mortes


Por:

Karina Toledo

Agencia Fapesp

Priscila Mengue


Estudo divulgado anteontem aponta que quando a cidade de Manaus vivenciou o pico da epidemia de covid-19, em meados de maio, aproximadamente 46% da população local já havia contraído o SARS-CoV-2. Um mês depois, o porcentual de infectados teria atingido 65% e, nos dois meses seguintes, teria se estabilizado em torno de 66%. Na avaliação dos autores, essa taxa de infecção “excepcionalmente alta” sugere que a imunidade de rebanho pode ter contribuído significativamente para determinar o tamanho final da epidemia na capital amazonense.



“Ao que tudo indica, a própria exposição ao vírus levou à queda no número de novos casos e de óbitos em Manaus. No entanto, nossos resultados indicam uma soroprevalência bem mais alta do que a estimada em estudos anteriores”, diz Ester Sabino, professora da Faculda-de de Medicina da Universidadede São Paulo (FM-USP) e coor-denadora da pesquisa – conduzida com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).


Em maio, a capital amazonense chegou a registrar média móvel de 40 mortes por dia por covid-19. Esse número foi caindo progressivamente e hoje está abaixo dos cinco óbitos diários. As conclusões apresentadas no artigo – ainda sem revisão por pares – baseiam-se em uma combinação de modelagem matemática e análises sorológicas feitas em amostras de sangue doado à Fundação Hospitalarde Hematologia e Hemoterapiado Amazonas (Hemoam) entreos meses de fevereiro e agosto.


“Selecionamos amostras de mil doadores em cada mês e analisamos a presença de anticorpos contra o SARS-CoV-2. Em seguida, fizemos uma série decorreções nos resultados por meio de modelagem matemática”, conta o primeiro autor do estudo, Lewis Buss, mestrandono Instituto de Medicina Tropical e no Departamento de Medicina Preventiva da FM-USP.


Esse tipo de análise está sujeito a uma série de vieses que precisam ser compensados, explica Buss. Um deles é o fato de os doadores de sangue serem, de modo geral, mais jovens e saudáveis(assintomáticos) do que a média da população. Além disso, no caso específico de Manaus, há também uma representatividade maior do sexo masculino. Outro ponto considerado foi a sensibilidade do teste sorológico usado, estimada em 85% para indivíduos assintomáticos ou com doença leve (a taxa de falso negativo, portanto, pode chegar a 15%).


“O que ficou evidente em nosso estudo é que anticorpos contra o SARS-CoV-2 decaem rapidamente, poucos meses após a infecção. Isso está claramente ocorrendo em Manaus, o que mostra a importância de fazer medidas seriadas para entender a evolução da doença”, afirma Buss.


Estratégia semelhante foi adotada para o município de São Paulo, onde os pesquisadores analisaram amostras de sangue doado na Fundação Pró-Sangue entre fevereiro e agosto.


Também nesse caso foram selecionadas mil amostras por mês. A soroprevalência bruta encontrada na capital paulista, após os ajustes do modelo, foram respectivamente: 0,8%,3,1%, 6,9%, 16,1%, 17,2% e 22,4%.



©2019 Portal de Notícias@.com / Por Adauto Silva

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